AVALIAÇÃO DA RECLASSIFICAÇÃO DE ESTAFILOCOCOS COAGULASE-NEGATIVOS ASSOCIADOS À MASTITE BOVINA POR MÉTODOS CONVENCIONAIS E MALDI-TOF MS
Palavras-chave:
Mastite bovina., Staphylococcus coagulase negativos., MALDI-TOF., Diagnóstico bacteriano., Qualidade do leite.Resumo
A mastite bovina representa uma das enfermidades mais relevantes da pecuária leiteira, devido aos impactos produtivos, econômicos e ao bem-estar animal. Tradicionalmente, sua etiologia é atribuída a patógenos contagiosos e ambientais, sendo a correta identificação bacteriana essencial para estratégias de controle eficazes. Entretanto, métodos fenotípicos convencionais, como testes bioquímicos, apresentam limitações, sobretudo na diferenciação de espécies estreitamente relacionadas, o que pode levar à superestimação de estafilococos coagulase negativos (SCN). Nesse contexto, o presente estudo avaliou a acurácia da espectrometria de massas por ionização/dessorção a laser assistida por matriz (MALDI-TOF MS) na identificação de agentes associados à mastite bovina. Foram analisadas 154 amostras previamente classificadas como SCN, das quais 136 apresentaram crescimento viável. Após reativação e cultivo, 77 isolados (58,1%) foram identificados por MALDI-TOF, enquanto 41,9% resultaram em identificação não confiável. Entre os isolados classificados, apenas 48,1% confirmaram-se como SCN, incluindo Mammaliicoccus sciuri (11%), Staphylococcus chromogenes (11,8%) e outras espécies em menor frequência. Por outro lado, 51,9% não correspondiam a SCN, abrangendo gêneros como Macrococcus (20,7%). Os resultados evidenciam a limitação dos métodos bioquímicos clássicos, que levaram à classificação equivocada de gêneros próximos ou de espécies fenotipicamente semelhantes aos SCN. O uso do MALDI-TOF permitiu refinar a compreensão da microbiota associada à mastite. Sendo a aplicação dessa tecnologia fundamental para diagnósticos mais precisos, com implicações diretas na epidemiologia da mastite e na adoção de medidas de controle mais adequadas.