BALÍSTICA FORENSE DE CAMPO: O PAPEL DOS TESTES COLORIMÉTRICOS DE BANCADA E SUAS LIMITAÇÕES NA ANÁLISE DE RESÍDUOS DE DISPARO (GSR)
Palavras-chave:
Balística, Química Forense, Rodizonato de SódioResumo
A Balística Forense, na etapa inicial de triagem, emprega métodos analíticos rápidos e de baixo custo para identificar preliminarmente a presença de Resíduos de Disparo (GSR). Este artigo de revisão foca nos testes colorimétricos clássicos de bancada, destacando sua aplicação na análise de GSR nas mãos do atirador e em vestígios questionados. O método mais fundamental para detecção de resíduos inorgânicos é o Teste do Rodizonato de Sódio, que identifica a presença de Chumbo (Pb) e Bário (Ba), elementos característicos da mistura iniciadora da munição convencional. A reação com o Pb2+ resulta em coloração violácea/vinho e com o Ba2+ em coloração alaranjada, sendo crítica a manutenção do meio ácido tamponado (pH < 3) para a otimização da reação. Complementarmente, para a identificação de vestígios orgânicos de propelente (pólvora não detonada), utiliza-se o Teste de Griess-Ilosvay, que visa detectar íons nitrito (NO2-) mediante a formação de um corante azo de coloração vermelha. Embora os métodos colorimétricos sejam ideais para a triagem rápida e não exijam instrumentação complexa, a revisão discute suas limitações críticas, como a natureza estritamente qualitativa, a baixa estabilidade dos reagentes e, principalmente, o alto risco de falso-positivos, decorrente da reatividade desses reagentes com metais ou contaminantes ambientais presentes em atividades cotidianas. Conclui-se que, enquanto essenciais para subsidiar a investigação preliminar, os resultados dos testes de bancada não possuem valor confirmatório e devem ser sempre validados por técnicas instrumentais de alta seletividade, como SEM/EDS ou ICP-MS, para que o vestígio adquira validade probatória em juízo.